<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430</id><updated>2011-12-02T05:19:17.639-02:00</updated><category term='ensaio'/><category term='opinião'/><category term='Poema'/><category term='info'/><category term='Conto'/><category term='Crônica'/><category term='Entrevista'/><title type='text'>Fábulas da Fíbula (ou Cinco Parafusos no Perônio)</title><subtitle type='html'>A invalidez temporária pode causar sandices crônicas.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-5972008634847299169</id><published>2011-10-20T10:42:00.001-02:00</published><updated>2011-10-20T10:43:50.971-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>A tentativa falha de um humor crítico</title><content type='html'>O grande problema por trás de toda a repercussão da piada deselegante de Rafinha Bastos é que ele, bem como Danilo Gentili e muitos dessa nova safra de comediantes, tentam ser, ao mesmo tempo, humoristas e formadores de opinião, muitas vezes usando a mesma linguagem para os dois fins - tarefa louvável e desafiadora -, sem, no entanto, serem geniais. Quando lhes convém, estão falando sério, tirando um sarro de políticos ou celebridades com o intuito de construir uma crítica moralista sarcástica. Em outros momentos, simplesmente usam o repertório de preconceitos, estereótipos e cultura machista para tecer piadas infames de teor ofensivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muitas dessas piadas funcionariam muito bem - e de fato trazem o riso - num ambiente entre colegas semelhantes em que ninguém se sentiria atacado ou diminuído. O humor negro, por exemplo, se processa dessa forma. Não se trata de hipocrisia, mas sim de consciência de contexto. Assim como algumas piadas causam risadas histéricas em casas de humor nos Estados Unidos ou nos teatros de shopping centers brasileiros, elas surtem um efeito constrangedor ou mesmo humilhante num ambiente maior e mais complexo como o público telespectador na estratificada sociedade brasileira, em que minorias ainda lutam para conseguir de fato uma igualdade social, já prevista em lei, longe, porém, de existir nas relações humanas, econômicas e políticas do cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, eles se colocam numa posição, entre confortável e covarde, de justificarem suas palavras conforme a ocasião, ou mais, conforme a repercussão. É preciso prever no público um discernimento muito grande para separar os dois objetivos em um mesmo contexto. Obviamente, nas piadas sobre a cantora grávida ou do estupro parabenizável, temos quase certeza de que não refletem o real desejo ou a opinião dos humoristas; elas podem gerar graça pelo simples absurdo que representam. E, em tempos de intensas manifestações contra a descarada corrupção (mesmo de acordo com a lei), quando enfrentam diretamente com seus comentários ácidos e atrevidos os políticos, nos sentimos até vingados ao ver aqueles engravatados experimentando saias justas. Mas todo esse limbo intermediário, em que se percebem os preconceitos velados, é que nos deixa em dúvida se são de fato piadas de mau gosto ou afirmações normativas provenientes de uma cultura colonial. Eles precisariam ser muito bons, como são alguns poucos cartunistas brasileiros hoje, para conciliar os dois objetivos - crítica e riso - com o efeito pretendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em suma: o humor agressivo contra políticos causa sentimento de justiça, porém sem efeito real de melhoria para os eleitores; o humor negro ou agressivo deveria ficar restrito a ambientes em que nenhum dos ouvintes se sinta ofendido ou humilhado. Fora isso, essa nouvelle vague do humor brasileiro não traz nada de original ou inovador na comédia nacional, muito menos age contra tragédia social e política de nosso país.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-5972008634847299169?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/5972008634847299169/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=5972008634847299169' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/5972008634847299169'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/5972008634847299169'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2011/10/tentativa-falha-de-um-humor-critico.html' title='A tentativa falha de um humor crítico'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-6074561674708431124</id><published>2011-08-02T23:05:00.003-03:00</published><updated>2011-08-03T00:03:55.614-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='opinião'/><title type='text'>desorgulho</title><content type='html'>Não gosto do sentimento geral de orgulho de grupo, porque ele sugere que indivíduos do grupo sejam melhores que os demais por uma simples característica. Tipo, orgulho de ser brasileiro, como se ser brasileiro fosse ser melhor que qualquer outra coisa. Orgulho de ser mineiro, como se qualquer mineiro fosse bom. De ser engenheiro ou literato, como se minhas opções de carreira me tornassem uma pessoa melhor que médicos ou advogados. De ser corinthiano, como se gostar de um time mesmo que nunca ganhe uma libertadores o faça torcedor mais apaixonado ou sei lá o que. O orgulho por si só não destaca a categoria, simplesmente iguala todos seus indivíduos numa nebulosa irracional e discriminatória.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, os movimentos de orgulho gay e orgulho negro, até mesmo do orgulho laico, além de outros surgidos nas últimas décadas, se originaram de um problema sério: violência, opressão e discriminação que estes grupos sofreram e ainda sofrem por aí. Ser parte desses grupos, outrora, deveria ser motivo de vergonha. É para anular esta vergonha de ser algo que a sociedade recrimina que surgem os movimentos de orgulho. Não é possível ser cidadão plenamente, numa sociedade igualitária, se há vergonha em ser o que se é. Por isso compreendo a necessidade de se falar, nestes casos, em orgulho, apesar de gostar mais da expressão "consciência negra", como forma de compreender-se como negro, saber sua história e conhecer os desafios para se alcançar a igualdade de fato e não só no discurso. Ser heterossexual ou branco nunca foi (e dificilmente será um dia) considerado motivo de vergonha social.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto, amigos de orgulho hétero, de consciência branca e do dia internacional do homem, sua piada não tem graça.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-6074561674708431124?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/6074561674708431124/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=6074561674708431124' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6074561674708431124'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6074561674708431124'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2011/08/desorgulho.html' title='desorgulho'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-6468015478861724680</id><published>2010-10-20T10:19:00.007-02:00</published><updated>2010-10-20T11:41:30.674-02:00</updated><title type='text'>sobre política e religião, em 10 minutos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Diálogo com Anita Silveira sobre a frase que retransmiti no twitter: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;"RT: @fernando_takai: um dia, eu espero, religião e política estejam bem distantes."&lt;/span&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anita publicou sua opinião em seu blog "café com groselha":&lt;br /&gt;&lt;a href="http://cafecomgroselha.blogspot.com/2010/10/sobre-politica-e-religiao-em-5-minutos.html"&gt;café com groselha: sobre política e religião, em 5 minutos&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se entendi corretamente, ela parte do princípio do meio termo na relação entre política e religião: esta não deve ser determinante na primeira, contudo não deve também ser totalmente isolada. Concordo que os princípios religiosos contem em si valores morais, que são a base da legislação de qualquer país. Ou seja, indiretamente a religião pode se envolver com a política.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, Anita iguala as duas posições, chamemos os "religiosos" e os "laicos", considerando que os dois lados desejam impor seu "próprio modo de vida" à legislação. E eleva a gravidade da posição dos laicos que desejam uma Lei com "ares de 'abertura' (...) quando na verdade é tão restrita quanto a primeira". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu discordo deste ponto de vista. Quando os religiosos desejam que as leis da sociedade de um Estado laico sejam iguais a suas leis morais, significa que querem impor seu modo de vida aos demais, isto está claro. Isso significa, na maioria das vezes, impossibilitar que outros modos de vida sejam permitidos. A via oposta, no entanto, não cerceia: abrange. Ela permite não só que os preceitos de uma religião possam ser seguidos, mas também outros pontos de vista. À medida que libera as diversas possibilidades, permite que todos estejam dentro da lei. Cada indivíduo ou grupo social aceita as regras de uma determinada religião caso achem que a mesma lhes conduzirá ao caminho correto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu considerar que a religião não deve ser misturada com política significa orientar a política para abranger a opinião de todos ou ao máximo possível de cidadãos. Se as regras de um grupo forem aplicadas a todos, haverá uma considerável parcela não atendida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caso de Sarkozi, citado por Anita, se pretende laicizante, mas é, na verdade, também religioso: a lei proíbe que determinado item de vestuário seja usado, seguindo o preceito de liberdade da nossa fatídica 'ética judaico-cristã-ocidental'. Mas estamos falando aqui justamente de legalizar coisas que hoje são ilegais; o que Sarkozi fez foi bloquear uma das liberdades, no caminho oposto que desejo. Da mesma forma, não acho justo que em alguns países as mulheres sejam obrigadas a usar um véu. Elas deveriam escolher se devem ou não usar, baseadas em sua religião e em seus próprios princípios morais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu ponto de vista é: as decisões devem ser baseadas em racionalidade e democracia, respeitando todos os modos de vida existentes, sem proibir os modos de vida diferentes. Coexistência de modos de vida. O fato de eu ser contra a criminalização do aborto não me faz ser a favor do aborto em si caso fosse um filho meu. O fato de eu ser a favor de liberação do casamento gay não me faz querer ser gay ou transformar todo mundo em gay. O fato de eu ser a favor da legalização de drogas leves não torna obrigatório o uso de maconha nos incensos das igrejas. O contrário sim: a criminalização destes aspectos impede diversos modos de vida particulares que não sejam o modo de vida de determinadas religiões. Imagine se quiséssemos proibir os cultos barulhentos de alguns evangélicos porque perturbam a tranquilidade tanto quando bares, ou a pregação de Testemunhas de Jeová na porta de nossa casa porque é invasão de privacidade ou coersão ideológica, ou as oferendas do candomblé ao mar, porque isso pode causar poluição das águas. Cada um desses religiosos ficaria coibido de sua fé, ao passo que grande parte da sociedade poderia sentir-se melhor atendida com as proibições. Mas é possível a convivência de todos sem essas proibições. Nos polêmicos temas anteriores, há diversas relações que envolvem saúde pública, direitos humanos e segurança pública que são deixados de lado devido a dogmas religiosos. Esses dogmas é que impedem a livre discussão de tabus e o debate aberto e que levam a uma aristocracia disfarçada de democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo assim, se os candidatos realmente tivessem por princípios alguma posição, seria mais compreensível. O que considero mais grave nisso tudo e que me leva a querer separar política e religião, é que eles lançam mão desses tabus religiosos para ganhar votos. Todo o resto - plano de governo, propostas para saúde e educação etc. - fica em segundo plano. É a pior das consequências.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-6468015478861724680?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/6468015478861724680/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=6468015478861724680' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6468015478861724680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6468015478861724680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2010/10/sobre-politica-e-religiao-em-10-minutos.html' title='sobre política e religião, em 10 minutos'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-4194141469571632404</id><published>2010-06-26T16:31:00.006-03:00</published><updated>2010-06-26T16:36:49.767-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>A day in life</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Gigante e eloquente, seguia desfilando o elefante pela avenida semi-pavimentada, cheia de buracos, remendos, com lobadas e depressões aqui e ali. Defecava como sempre um esterco de odor agradável a muitos olfatos, tórpidos de deleite ou êxtase, quando esguichou sua água trombática no gnu que se esforçava em manter-se aparte do espetáculo. Hienas e avestruzes deleitavam-se ululantes em torno do proboscídeo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mabecos que rondavam por perto uivaram em reprovação, despertando a atenção de lêmures esticados sobre as cabeças das girafas. Os pequenos bichos, saturados daquela apelativa e alienante ostentação de marfins, desceram rapidamente pelos pescoços longínquos e atacaram massivamente coquinhos em direção a uma das patas do elefante, gritando à plateia que olhasse por um instante ao azul do céu. Os mini-projéteis causaram-lhe um perceptível e indolor arranhão na pele cascuda. O público continuou estupefato com a afetada riqueza visual do mamífero maior. O elefante decidiu interromper o jorro nasal para utilizá-lo em momento mais oportuno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E seguiu sua pomposa parada festiva, para satisfação de babuínos, gibões e gorilas, cercado de flamingos, chacais e guepardos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Os lêmures abrigaram-se novamente de focinhos empinados em suas guaritas, enquanto as hienas esgoelavam-se em risadas sabendo que mais tarde a carniça podre dos espectadores estaria mais uma vez disponível.)&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-4194141469571632404?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/4194141469571632404/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=4194141469571632404' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/4194141469571632404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/4194141469571632404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2010/06/day-in-life.html' title='A day in life'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-6013241229484441667</id><published>2010-06-19T00:46:00.009-03:00</published><updated>2010-06-19T01:48:03.900-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema'/><title type='text'>Radical</title><content type='html'>Numa coluna da casa&lt;br /&gt;Há a raiz de uma árvore&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Podada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada estação cresce a árvore&lt;br /&gt;E mais uma vez é&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Podada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abaixo da casa&lt;br /&gt;Há uma fundação&lt;br /&gt;Perfurando o solo&lt;br /&gt;A erguer a construção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raiz disputa lugar com a fundação&lt;br /&gt;A raiz - orgânica - fere a fundação&lt;br /&gt;Acha nutrientes no solo&lt;br /&gt;Para crescer a árvore&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pela coluna da casa&lt;br /&gt;Desce uma canaleta&lt;br /&gt;Na chuva jorra água&lt;br /&gt;Escoa pela ardósia&lt;br /&gt;E some pelo ralo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pouco da água não desaparece no ralo&lt;br /&gt;se espalha pela ardósia - prévio solo rígido - e na fissura do piso, em torno do caule&lt;br /&gt;Se esvai &lt;br /&gt;pela &lt;br /&gt;fundação&lt;br /&gt;atinge &lt;br /&gt;o &lt;br /&gt;solo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A água de cima &lt;br /&gt;junta-se &lt;br /&gt;ao solo de baixo&lt;br /&gt;Motivam a raiz a alimentar a planta&lt;br /&gt;E fomentam a guerra - raiz contra fundação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raiz luta contra a fundação da casa&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Vence&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vitorioso, cresce o caule&lt;br /&gt;Com tímidos galhos&lt;br /&gt;Folhoso verdejante&lt;br /&gt;Vitorioso, logo &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Podado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol ilumina a casa e as folhas&lt;br /&gt;A casa estagnada não progride&lt;br /&gt;As folhas iluminadas alimentam&lt;br /&gt;A planta que progride&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Podada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem do alto e do fundo&lt;br /&gt;É pela planta&lt;br /&gt;O que fica no meio, estático&lt;br /&gt;É pelo homem e para ele&lt;br /&gt;Não para a humanidade&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A raiz é fundação da árvore&lt;br /&gt;Ainda projetada, inexistente&lt;br /&gt;Abstrata e desarmada&lt;br /&gt;O concreto armado é fundação da casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raiz vence concreto&lt;br /&gt;Árvore não vence casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Raiz, vens de baixo&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Eu, coluna, ergo-me acima&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;span style="font-style:italic;"&gt;orior supra ergo sum&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Não queira deslocar-me&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Oprimo-te em prol da casa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vitorioso homem sobre natureza&lt;br /&gt;Se acaba o homem, perde a casa&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-6013241229484441667?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/6013241229484441667/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=6013241229484441667' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6013241229484441667'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6013241229484441667'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2010/06/radical.html' title='Radical'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-8378645946303359180</id><published>2010-03-24T14:19:00.001-03:00</published><updated>2010-03-24T14:20:53.385-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema'/><title type='text'>Póstumo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;publicado n'A Patada em 25 de fevereiro de 2004&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;................&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O que mais machuca perante a morte é a triste e desesperadora sensação de não ser mais possível matar as saudades do ente querido que se foi.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;................&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ah, se eu pudesse&lt;br /&gt;uma última vez estar contigo&lt;br /&gt;Bater um papo, jogar conversa fora&lt;br /&gt;E saber como anda a tua vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, sim, eu queria&lt;br /&gt;Dar-te um último grande abraço&lt;br /&gt;E aproveitar mais um momento&lt;br /&gt;Antes de tua precoce partida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, hoje eu estaria&lt;br /&gt;Muito menos desolado e arrependido&lt;br /&gt;Por não acreditar que esses&lt;br /&gt;Teus últimos dias seriam&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Si Deus acolhe&lt;br /&gt;Todas as almas bondosas como a tua&lt;br /&gt;E tão evidente chega a parecer&lt;br /&gt;O teu papel entre nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há, sim, a certeza&lt;br /&gt;De que ajudaste a salvar uma vida&lt;br /&gt;Cuja difícil missão será, sozinha&lt;br /&gt;Fazer crescer vosso jovem fruto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A simples passagem tua&lt;br /&gt;Por nossas pequenas existências&lt;br /&gt;Ficará marcada em nossas memórias&lt;br /&gt;Como ferida aberta pelo destino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assino, com muito carinho&lt;br /&gt;Essa despretensiosa homenagem&lt;br /&gt;Com uma lágrima no rosto&lt;br /&gt;E uma imensa saudade no coração&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que Deus abençoe a todos nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;Em memória de Celso Mendes dos Santos&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-8378645946303359180?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/8378645946303359180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=8378645946303359180' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/8378645946303359180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/8378645946303359180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2010/03/postumo.html' title='Póstumo'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-2130514484491373370</id><published>2010-03-24T13:58:00.002-03:00</published><updated>2010-06-25T15:15:16.884-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Todo sofrimento tem seu fim</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;publicado n'A Patada em 2 de agosto  de 2004&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ramstein está acostumado a ver rostos desesperados e aliviados. Diariamente, várias pessoas passam por seu escritório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atrás de grossas lentes, seus curiosos e levemente vesgos olhos perseguem os menores movimentos dos visitantes. A maioria chega cumprimentando-o com um solene "Bom dia!" e, a princípio, sente-se desconfortável em revelar seu real intuito em encontrá-lo, citando então pormenores da vida ou comentando o tempo. Às vezes, alguns vão até ali simplesmente para conversar e ver como anda a vida. Porém, Ramstein rapidamente percebe os casos em que a pressa da saudação e a aleatoriedade do assuntos escondem uma vontade imensa de se livrarem do que há de mais podre dentro deles. E ele tem total consciência disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em geral, antes mesmo que Ramstein delicada e sutilmente peça para a pessoa seguir em frente e chegar ao motivo da visita, ela já se revela e desabafa seu sofrimento. Com bom humor, ele procura diminuir o constrangimento alheio, muitas vezes com sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, ocasionamente o visitante vê-se obrigado a se conter e nem encontra palavras para expressar sua dor. Ramstein compreende a situação e procura abrir-lhe a porta para a solução. Muitos não percebem que há sempre, na verdade, um outro caminho, e que tal penitência não é necessária. É nesses casos que Ramstein fica mais satifeito em poder ajudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de cada sessão, é evidente a diferença no semblante de quem passa por lá. Ao entrarem pelo corredor, Ramstein vê a tensão e mesmo o martírio estampado nas faces. Eles chegam, fecham a porta, sentam-se, respiram bem fundo, soltam-se, enquanto todo o inimaginável passa-lhes pela mente. Suspiros e gemidos permeiam o processo de libertação. Enfim, limpam-se da sujeira impregnada até a alma e despedem-se, sorridentes, satisfeitos e mais tranqüilos, para voltarem novamente no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E Ramstein sorri. Sonhava em ser psiquiatra, mas trabalha na secretaria do laboratório de uma mineradora, onde ficam os dois únicos banheiros limpos do local.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-2130514484491373370?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/2130514484491373370/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=2130514484491373370' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2130514484491373370'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2130514484491373370'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2010/03/todo-sofrimento-tem-seu-fim.html' title='Todo sofrimento tem seu fim'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-6198702423642216577</id><published>2010-03-24T13:48:00.003-03:00</published><updated>2010-03-24T14:00:01.081-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema'/><title type='text'>Da desilusão</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;escrito em  2000, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;publicado n'A Patada em 23 de novembro de 2003&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Fim de tudo, término do mundo&lt;br /&gt;Vontade de sumir, desejo de desaparecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afrodite enfurecera, virara Medusa,&lt;br /&gt;Mirou o peito; pobre coração&lt;br /&gt;Inocente, correspondeu ao olhar:&lt;br /&gt;Petrificou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prefere agora a neve ao raio de sol&lt;br /&gt;O breu à vela&lt;br /&gt;O luto ao sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De nada serve chorar&lt;br /&gt;Se adiantasse, de lágrimas seriam feitos&lt;br /&gt;Os rios e lagos,&lt;br /&gt;Somente chuva haveria, pranto dos céus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lamentos de santos e deuses&lt;br /&gt;Soluços de anjos e ninfas&lt;br /&gt;Só alegradas pelos acordes&lt;br /&gt;Dos fios de mui poderosa harpa&lt;br /&gt;Tocando envolventes baladas&lt;br /&gt;Inebriando todos os sentidos e, aos poucos,&lt;br /&gt;Lapidando novamente o imo&lt;br /&gt;Flamejando-o, dando-lhe pulso, energia restauradora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez a esperança,&lt;br /&gt;A crença numa eventual generosidade do destino&lt;br /&gt;Esse mesmo, de espírito ladino&lt;br /&gt;Serelepe feito menino&lt;br /&gt;Traiçoeiro tal qual a ação de um lupino&lt;br /&gt;Deixando uma alma à deriva&lt;br /&gt;Num mundo lupino, menino, ladino&lt;br /&gt;Sozinha...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-6198702423642216577?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/6198702423642216577/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=6198702423642216577' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6198702423642216577'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6198702423642216577'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2010/03/da-desilusao.html' title='Da desilusão'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-1030379177630283095</id><published>2009-12-18T16:00:00.000-02:00</published><updated>2009-12-22T23:58:27.843-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Descrença</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;publicado n'A Patada em 21 de novembro de 2003&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com tanta desgraça no mundo, às 14h16 do dia 18 de novembro Teófilo parou de acreditar em Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir de então, Teófilo deixou de escrever o referido nome com letra maiúscula. Passou também a usar artigo indefinido. Se na mitologia grega havia vários deuses, o mundo moderno não seria diferente, a não ser pelo fato de existirem mais religiões. Teófilo percebeu que o motivo dos maiores conflitos era simplesmente a crença em um deus. Um ser abstrato, dono da verdade, suprapoderoso. Se tolerante e possuidor de bondade infinita, não conseguia impedir seus súditos de se matarem. Quando exclusivista, não permitia a existência de outras crenças. E quando indiferente às demais religiões, não podia salvar seus seguidores. Sendo assim, Teófilo concluiu que não era possível existir um deus. Nenhum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 13h20 desse dia, Teófilo soube de mais uma série de atentados suicidas, dessa vez na Turquia. Todo mundo perdeu a noção no berço das civilizações. Os motoristas-bomba esperavam os religiosos inimigos reunirem-se na hora da oração e explodiam-nos. Teófilo só ficaria mais estupefato se soubesse de um pedófilo que se trancasse numa creche numa quarta-feira à tarde.&lt;br /&gt;No mesmo dia, às 13h26, o chefe de Teófilo o chamou para conversar. Explicou que a cultura da empresa mudara, mas que Teófilo não havia conseguido se adaptar. Mesmo porque ninguém avisara Teófilo de mudança alguma. Às 13h55 Teófilo apertou o botão descendente do elevador, sem se despedir de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 20h34 de 16 de novembro Teófilo assistia estarrecido a uma notícia na televisão sobre um casal de namorados assassinados por um garoto crudelíssimo. Não fosse a brutalidade do crime, ainda colocariam a culpa nos próprios jovens, por não avisarem seus pais aonde iriam de verdade. Teófilo lembrou-se das 18h56 de uma sexta-feira, uns dez anos antes, quando consolava sua paixão depois uma briga dos sogros e decidiram fugir. Correram para uma praia deserta distante e lá Teófilo teria os momentos mais mágicos da sua vida, até resolverem voltar, às 6h12 do dia seguinte. Porque a garota estava com medo de cobras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 19h13 de 19 de novembro Teófilo foi beijar sua noiva e ela desviou o rosto. Precisavam conversar. Teófilo ouviu que era um dos caras mais bacanas que ela conhecera, mas a magia acabara e o brilho de Teófilo ofuscara-se. Às 22h22 uma lágrima caiu do olho esquerdo de Teófilo, enquanto ouvia uma canção antiga e bebia a quinta cerveja no sofá de casa, ao lado do cachorro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 26 de novembro, ao sair de casa para ir à banca, às 10h48, um mendigo parou Teófilo na rua e pediu-lhe umas moedas. Teófilo só tinha o dinheiro para o jornal, mas resolveu entregar ao homem roto. Teófilo estava mal, mas aquela alma precisava ainda mais de ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Deus lhe pague!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teófilo sorriu da fiel inocência do mendigo e foi caminhar pelo bairro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 10h57 Teófilo esbarrou numa moça de óculos e cabelos negros amarrados, com uma porção de papéis nas mãos, que caíram na calçada. Teófilo ajudou-a a recolher tudo e seus olhares se cruzaram. Teófilo tentou pensar em algo gentil e fatal para dizer, mas achou que não era um bom momento e simplesmente pediu desculpas. A moça sorriu, desculpou e quis Teófilo. Teófilo xingou-se por ser tão desastrado e seguiu seu caminho incerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às 4h08 desse mesmo dia a gráfica imprimia na terceira página do jornal diário uma oferta de emprego para o perfil de Teófilo, com uma remuneração um pouco mais baixa que a do trabalho anterior, porém ainda compatível com suas necessidades. Às 7h02 um pacote do jornal chegou à banca da praça e o jornaleiro foi logo cortar as amarras. Sem querer, acabou rasgando o exemplar de cima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andando distraído pela praça, Teófilo passou em frente à banca. Olhou as capas de revistas e as primeiras páginas dos jornais e resolveu comprar um. Às 11h26 disse ao jornaleiro que iria levar. No entanto, lembrou-se de que havia doado as moedas ao andarilho e desistiu da compra. O jornaleiro, por sua vez, lembrou-se do jornal rasgado e ofereceu-o a Teófilo. Ele o tomou, analisou e decidiu não levar, pois não era certo. Resmungou por haver entregue os trocados ao mendigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao voltar para casa, Teófilo sentiu-se sozinho e teve saudades da mãe, que não via havia anos. Às 12h01, ao chegar à sua porta, o telefone tocava. Apressou-se, mas o telefone parou antes que Teófilo o alcançasse. Aproveitando o aparelho na mão, procurou o número de sua mãe e discou-o. Estava ocupado. Reclamou que ela ainda só ficava pendurada no telefone e não tentou novamente. Às 12h03, a mãe de Teófilo devolveu o telefone ao gancho e desistiu de procurar seu filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois desse momento, as coincidências deixaram de acontecer em sua vida. E assim continuou ele em sua existência, até seu último suspiro, sozinho, num quarto escuro e sujo, em uma hora qualquer de uma noite fria de chuva.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-1030379177630283095?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/1030379177630283095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=1030379177630283095' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/1030379177630283095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/1030379177630283095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/04/descrenca.html' title='Descrença'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-8230380625555327519</id><published>2009-10-27T16:48:00.004-02:00</published><updated>2009-10-27T16:51:28.579-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Entrevista'/><title type='text'>Roteiro de Entrevista</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Esta semana uma aluna de Psicologia da Unesp de Bauru entrou em contato comigo - e, imagino, com diversos colegas da faculdade - para fazer uma entrevista, parte de sua pesquisa na área de orientação vocacional. Topei e achei algumas perguntas legais, pois se tratavam de reflexões a que me propus antes de decidir fazer Estudos Literários e logo depois que entrei no curso. Se naquela época eu tinha uma visão bem míope a respeito, hoje ainda preciso de um óculos com grau maior - quase nenhuma certeza. Pelo menos já venho pensando bastante à medida que leio novas opiniões - novas para mim, às vezes já bem antigas nos cânones. Então achei por bem colocar algumas das respostas aqui para, talvez, incitar alguma discussão.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Quais são as áreas de atuação do profissional [de Estudos Literários]? O que é exatamente faz o profissional formado em sua atuação?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caminho mais comum é a carreira acadêmica: mestrado, doutorado e docência em faculdades de Letras e afins. Como não temos Licenciatura, não podemos lecionar no ensino médio e fundamental, mas nada impede que demos aula em cursinhos. Também podemos virar críticos literários, tradutores de obras literárias, redatores em jornais, enfim, não dá pra saber ainda para onde vai quem se forma em EL.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Como são as condições de trabalho, nesta profissão?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conformo dito acima, ainda é incerto, mas provavelmente será a média dos profissionais da área de Humanas: muita dedicação ao trabalho, com baixa remuneração. A produção do intelectual no Brasil não se transforma em produto cultural rapidamente, por isso não é valorizada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Quais seriam os problemas/desafios enfrentados pelos profissionais da área?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além de baixos salários, a sociedade brasileira não dá valor a especialistas na área de Literatura. Assim como a pesquisadores de forma geral. A reputação é de que pesquisa não produz renda. No curto prazo, pode ser verdade, mas isso é uma falácia se considerarmos o valor cultural agregado ao longo dos anos. França, Inglaterra, Itália e Alemanha não teriam a sociedade organizada como hoje, não fossem os importantes intelectuais que surgiram ao longo do milênio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Quais contribuições, em sua opinião, que esta profissão oferece para a sociedade?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta é uma questão complicadíssima. A função básica destes profissionais é ajudar os leitores a compreenderem melhor as obras literárias – atenção: ajudar a compreender, não explicar ou simplesmente interpretar uma obra. A compreensão de um texto depende da experiência pessoal e dos valores de cada indivíduo e o seu significado pode ser múltiplo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelo que tenho observado, existem as pessoas que se interessam por Literatura e para elas o seu objetivo é, geralmente, trazer ao ser humano a experiência da humanidade, fazer com que imaginemos coisas que não nos aconteceram e não vão acontecer, mas que poderiam ser verdade; a Literatura pode ser encarada, ainda, como a História que não aconteceu. Isso tudo faz com que as pessoas compreendam melhor o que é diferente, analisam outros pontos de vista e, assim, se tornem mais tolerantes, mais cultas, mais solidárias e também faz com que pensem nos problemas individuais e em sociedade. Leva problemas reais para o campo imaginário, onde encontra soluções, para trazê-las de volta ao mundo em que vivemos. Ou seja, a Literatura tem a capacidade de melhorar o indivíduo através da experiência literária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto, aqueles que não gostam da Literatura em geral, obviamente, não lêem a respeito; então de nada adiantam livros e livros que expliquem o valor da Literatura. Este é o grande desafio e a grande contribuição que profissionais de nossa área: fazer do brasileiro um leitor cotidiano para a evolução individual que leva à evolução da nação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Você imagina que a profissão será diferente no futuro? Por quê?&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depende da evolução da educação no Brasil. Não só nas escolas, mas em casa também. Na casa de meus pais havia menos de vinte livros na estante. Li quase todos, só não li alguns que me pareciam doutrinadores. Eu achava bonito, mas em casa não havia a cultura da leitura. Nem da música. Dos meus pais aprendi que deveria estudar para ficar inteligente e que deveria me esforçar para alcançar meus objetivos, mas o repertório mesmo veio de fora, da escola e dos amigos. É um pacto conjunto para a evolução. Depois que as pessoas se convencerem do valor da pesquisa não só em ciência, mas também em idéias, a profissão do “estudioso literário” poderá ter uma reputação melhor e mais pessoas poderão procurá-lo. Mas devo confessar que, pelas políticas que os governos vêm adotando, em prol do desenvolvimento produtivo e econômico, sem investimento em educação, sem perspectiva de mudança, sou bem cético. Corintiano, sabe? Sei que o time provavelmente deve perder, mas ainda torço pra ganhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-8230380625555327519?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/8230380625555327519/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=8230380625555327519' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/8230380625555327519'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/8230380625555327519'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/10/roteiro-de-entrevista_27.html' title='Roteiro de Entrevista'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-2544651637353375531</id><published>2009-10-13T21:43:00.007-03:00</published><updated>2010-06-25T15:18:51.659-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Só não sabe quem não quer</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;E, triunfantes, bradaram as palmeiras imperiais: "De agora em diante, nenhum ser vivo nesta Terra padecerá da escuridão; o sol, nosso grande astro, nascerá para todos. É injusto que somente as copas de grandes árvores, os vastos gramados e os animais que se movimentam tenham seu quinhão de calor e luz. Todos terão acesso a essa dádiva divina, por mais tempo cada dia, por mais dias o ano inteiro."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bichos, plantas e algas regozijaram-se ante a promessa da distribuição igualitária da riqueza maior, o desfecho feliz para todo um bioma. O sol preocupou-se levemente, mas entendeu que era seu dever. Gramíneas soturnas, sem reação, deixaram-se aquecer, até ressecarem. Musgos tornaram-se macios tapetes secos. Damas-da-noite cheiravam a mato decomposto. Minhocas confundiam-se ao feno do terreno. Sapos descoaxavam e corujas chacoalhavam trépidas na aerodinâmica dos besouros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os morcegos, sempre indiferentes e marginais, aproveitaram as novas frequentes visitas suculentas às cavernas e não mais precisaram externar-se. Nunca fizeram questão de ver o nitidamente claro e belo mundo tropical paradisíaco que reinava - louvado seja Deus - em todo aquele mundo igualitário e radiante.&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-2544651637353375531?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/2544651637353375531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=2544651637353375531' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2544651637353375531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2544651637353375531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/10/so-nao-sabe-quem-nao-quer.html' title='Só não sabe quem não quer'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-8837669241250764718</id><published>2009-09-10T15:45:00.001-03:00</published><updated>2009-09-10T15:51:39.308-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Aparte</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foram apresentados. Tiveram ali seu primeiro simpósio em meio aos convivas. Ele convidou-a à dança. Ela superou a recusa instintiva e cedeu. Os pés embriagados entraram em compasso e desencadearam o toque primogênito dos lábios e das papilas. Ele avançou, ela recuou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocaram olhares, sorrisos e contatos. No enlace seguinte, o encaixe perfeitamente complementar, o suor da satisfação mútua e a percepção de que o intento não seria em vão. Ele a procurava, ela deixava-se encontrar. Descobriram interesses em comum e isso os tornava mais íntimos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele mostrou-lhe a incomum hibridez de seu mundo múltiplo e ela acolheu-o dengosamente em seu lar aconchegante. Concederam reciprocamente os vistos de livre passagem pela fronteira entre suas vidas. Estradas longas de asfalto e de terra, com destinos certos ou nem tanto. Até que ele tomou para si só a direção. Na busca por novos caminhos, caía sempre nos mesmos. A neblina de vias conhecidas e previsíveis embaralhava suas vistas e não o deixavam enxergar além. A melodia soava monótona, de um tom rosa cujo aroma evitava aspirar para não deixar-se envolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele ávido por novidade, ela desejosa de atenção, por mínima que fosse. No vácuo do sentimento esgotado surgiu um degradante campo magnético: quanto mais ela esforçava-se em reaproximar-se, mais levianamente reagia ele com subterfúgios. Ela o chamava para seu cotidiano e ele fugia para imprevistos impulsivos de devaneios coletivos. Ocultava e assim alimentava seu fastio. Mesmo que sentisse, ela julgaria inverossímil. Com involuntária displicência, manteve-se discreta e paciente. Semi-inconsciente da alienação, palestrava segurando com dedos fortes a mão que sorrateiramente esgueirava-se; confabulava  procurando o respaldo de um olhar que, desfocado, esvaía-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sufocado pela inércia da dissimulação mal representada, veio final e subitamente à tona com a implacável e inevitável sinceridade. Acumulou coragem para superar qualquer inação frente ao sofrimento tão simultaneamente alheio e próprio. Rudes palavras em prol do esclarecimento e da resignação para um futuro menos amargo. Ele, aparentemente impassível e internamente agoniado; ela, interrogando com lágrimas a desditosa notícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias para recuperar o fôlego e uma nova conversa para consumar o infortúnio de um crime sem culpados nem réus. E assim a humanidade segue acumulando mais um caso em seu ocaso. O aborto, involuntário ou não: a sutil morte prematura do embrião de um amor desconstruído.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-8837669241250764718?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/8837669241250764718/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=8837669241250764718' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/8837669241250764718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/8837669241250764718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/09/aparte.html' title='Aparte'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-7505634835017033734</id><published>2009-06-22T21:21:00.005-03:00</published><updated>2009-06-22T21:26:37.946-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Picolé de morango</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right; font-style: italic;"&gt;publicado n'A Patada em 21 de janeiro de 2004&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu estava no parque, ao lado de meu carrinho de picolé, contemplando uma rara tarde ensolarada de céu limpo. Um daqueles dias em que dá vontade de ir à praia, sentar à sombra de um quiosque, apreciar uma cervejinha bem gelada, soprar a nuca suada da esposa, só pra ela se Justificararrepiar e a gente dar risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem picolé de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;molango&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virei em direção à voz doce e suave e encontrei a imagem da inocência, uma linda garotinha de uns cinco anos, negrinha, com o cabelo pixaim adornado em diversas trancinhas cheias de miçangas. O olhar ansioso pela guloseima me fitava, exigindo a resposta o quanto antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tem sim, princesinha, toma!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto a mãe me pagava, a criança tentava em vão abrir, rasgar com unhas e dentes o último empecilho para chegar ao picolé, a embalagem plástica, que insistia em ficar ali, adiando a alegria das papilas gustativas da menina. A mãe a ajudou e foram andando em direção ao campinho de areia, onde as crianças podiam se divertir sob os olhares das genitoras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pude deixar de continuar a observar aquela criaturinha. Ao chegarem à pracinha de brinquedos, a menina percebeu que um guri, loirinho, de olhos claros, mais ou menos da sua idade, não tirava o olho de seu picolé. Receosa entre deixar de aproveitá-lo ao máximo e ver o menino com vontade, decidiu-se, silenciosamente, por oferecer-lhe um pedaço, levando-o rumo à boca do desconhecido novo amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu queria, naquele momento, ter uma câmera fotográfica, ou mesmo ter o dom de pintar, desenhar, qualquer coisa de modo a gravar a cena e repassá-la ao mundo inteiro, para esse bando de cidadãos honestos, que trabalham dia e noite e voltam para o lar, o claustro diário, acompanham o telejornal e desejam a morte dos ladrões cruéis, que tiram a vida de outros semelhantes cidadãos honestos. Algo doce e sutil o suficiente para talhar uma ferida profunda no egoísmo cotidiano das pessoas. Mas a situação era por demais tenra e eu não conseguiria de forma alguma ter algum sentimento vil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A solidariedade entre as duas crianças, tão diferentes, mas tão iguais, me tocou. Eu quis abraçá-las bem forte, como se fossem meus netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garotinho sorriu, agradecido, mas antes que ele pudesse aceitar, sua mãe percebeu o que acontecia e puxou-o subitamente para o seu lado, dando-lhe uma bronca e um tapa no bumbum. Do outro lado, a menina assistia estarrecida ao acontecimento e imediatamente levou um puxão de sua mãe, querendo protegê-la do menino que queria roubar o picolé da filha - foi o que ela pensou. No solavanco, o picolé soltou-se da mão da menina e voou, girando no ar, até cair no chão de areia. As duas crianças acompanharam a queda como pai vendo o filho saltar da janela de um edifício. Os olhos de ambos se encheram de lágrimas, porém nenhum chorou de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mães começaram a trocar ofensas, dizendo coisas feias perto das crianças, sem o menor pudor. Elas, réus inocentes de um crime cometido por advogados e promotores, ouviam assustadas, em silêncio. A menina começou a chorar, o menino olhou com pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inconformado, peguei dois picolés de morango de meu carrinho e fui andando em direção a eles, esperançoso de acabar com a confusão e dar algum conforto aos pequeninos. Estes me avistaram e foram, aos poucos, engolindo o soluço. Eu, já próximo, podia sentir a sua alegria me contagiando, quando as mães, irritadas, pegaram seus respectivos filhos e tomaram caminhos opostos. As crianças ainda me olhavam, uma de cada lado, com uma expressão de quem esteve perto da glória e não a alcançou. Em seus rostos, uma tristezinha por algo que não precisava ter acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu parei no meio do caminho, estático, sem saber o que pensar, nem o que fazer, com dois picolés de morango derretendo em minhas mãos e escorrendo pelos cotovelos. Até alguém gritar do carrinho:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ô, picolezeiro, dá pra vir atender logo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-7505634835017033734?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/7505634835017033734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=7505634835017033734' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/7505634835017033734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/7505634835017033734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/06/picole-de-morango.html' title='Picolé de morango'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-2626170081738146018</id><published>2009-06-16T10:04:00.001-03:00</published><updated>2009-06-22T21:10:50.598-03:00</updated><title type='text'>Entrelinhas de Luther King</title><content type='html'>&lt;p style="text-align: right;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;escrito em 2000, publicado n'A Patada em 10 de dezembro de 2003&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="MsoNormal"&gt;Um dia…&lt;br /&gt;Jovens aprenderão palavras que não irão entender.&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;&lt;/span&gt;                    Irão apenas adicioná-las à sua gama de definições.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Crianças da Índia perguntarão:&lt;br /&gt;O que é fome?&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;É algo parecido com depressão?&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Crianças do Alabama perguntarão:&lt;br /&gt;O que é segregação racial?&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;É o mesmo que solidão urbana?&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Crianças de Hiroshima perguntarão:&lt;br /&gt;O que é bomba atômica?&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Tem relação com suicídio coletivo?&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Crianças nas escolas perguntarão:&lt;br /&gt;O que é guerra?&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Tem a ver com extinção de espécies?&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Tu irás responder-lhes,&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;com um soluço de saudade.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Dirás a elas,&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;escondendo lágrimas nos olhos:&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Tais palavras não são mais usadas,&lt;br /&gt;Assim como diligências, navios negreiros ou escravidão&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Sapiência, fé ou emoção&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Amor, amizade -&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Palavras que perderam o sentido.&lt;br /&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Cortaram o fio da sensibilidade e do companheirismo.&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;Por isso elas foram &lt;i style=""&gt;– todas –&lt;/i&gt; removidas dos dicionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;………………………………………………………………………………&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;One Day…&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;               &lt;/span&gt;Youngsters will learn words they will not understand.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;     &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Children from India will ask:&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;              &lt;/span&gt;What is hunger?&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                   &lt;/span&gt;Children from Alabama will ask:&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;What is racial segregation?&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Children from Hiroshima will ask:&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;              &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;What is the atomic bomb?&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;              &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Children at school will ask:&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;           &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;What is war?&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;You will answer them.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;              &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;You will tell them:&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;                &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Those words are not used any more,&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;   &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;        &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Like stagecoaches, galleys, or slavery -&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;Words no longer meaningful.&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;      &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;&lt;span style=""&gt;                    &lt;/span&gt;That is why they have been removed from dictionaries.&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right;" align="right"&gt;Martin Luther King, Jr.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-2626170081738146018?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/2626170081738146018/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=2626170081738146018' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2626170081738146018'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2626170081738146018'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/06/entrelinhas-de-luther-king.html' title='Entrelinhas de Luther King'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-2879525687103036039</id><published>2009-05-20T20:06:00.004-03:00</published><updated>2009-05-20T20:12:14.431-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;escrito em 2000, publicado n'A Patada em 23 de novembro de 2003&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A solução é fugir&lt;/div&gt;&lt;div&gt;largar tudo e ir embora&lt;/div&gt;&lt;div&gt;descuidar de quem te ignora&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tomar um porre e morrer de cirrose&lt;/div&gt;&lt;div&gt;martirizar-se para que se goze&lt;/div&gt;&lt;div&gt;calar a boca fechada do mundo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;talhar na pele um corte profundo&lt;/div&gt;&lt;div&gt;detonar tudo o que é dos ianques&lt;/div&gt;&lt;div&gt;desenhar flores nos tanques&lt;/div&gt;&lt;div&gt;levar uma criança ao parlamento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;deliciar-se com o amargo do tormento&lt;/div&gt;&lt;div&gt;abrir uma porta para o nada&lt;/div&gt;&lt;div&gt;tocar roquenrou para uma fada&lt;/div&gt;&lt;div&gt;pular na lua até chegar ao sol&lt;/div&gt;&lt;div&gt;alisar tigre até virar caracol&lt;/div&gt;&lt;div&gt;psicografar um poema inerte&lt;/div&gt;&lt;div&gt;insistir no erro a fim de que acerte&lt;/div&gt;&lt;div&gt;rabiscar de negro o rubro do ocaso&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mergulhar de cabeça num lago raso&lt;/div&gt;&lt;div&gt;achar graça na lágrima da viúva&lt;/div&gt;&lt;div&gt;deitar-se nu num ninho de saúva&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esquecer-se de que se deve lembrar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;lembrar-se de que se tem que parar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;parar de crescer para deixar de perceber&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que o feito não é perfeito como queria ver&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e descobrir enfim que a solução&lt;/div&gt;&lt;div&gt;é insolúvel a quem é são&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e que minha vida é a de um imbecil infantil continuando a acreditar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que Deus existe e que dará um jeito de acabar com o homem e nos salvar.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-2879525687103036039?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/2879525687103036039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=2879525687103036039' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2879525687103036039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2879525687103036039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/05/escrito-em-2000-publicado-na-patada.html' title=''/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-4046145679891640245</id><published>2009-05-18T12:57:00.006-03:00</published><updated>2009-05-27T20:20:36.299-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>A revelação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;publicado n'A Patada em 28 de novembro de 2003&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha uns dezesseis anos e estava a discutir com alguns amigos qual a imagem mais antiga que guardávamos em nossa memória. Um desafio e tanto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns juravam que conseguiam se lembrar de imagens de quando tinham menos de dois anos, outros se lembravam do momento em que conseguiram andar pela primeira vez. Se fosse andar de bicicleta, tudo bem, mas com as próprias pernas? Fala sério! Ninguém estava para ganhar um jogo, era só para tentar conhecer os limites da mente humana. Essas deviam ser imagens induzidas, histórias que as tias contavam de quando eram bebê e o cérebro tratava de criar toda a ambientação. Por isso, tais depoimentos foram descartados, mesmo que a contragosto dos contadores de causos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguns foram mais plausíveis, lembraram de um piquenique no parque, quando ainda não tinha a estátua da fonte. Aliás, não havia nem a fonte na época. Outro conseguiu captar o momento em que ganhara um autorama de Natal, achava que com cinco anos de idade. Puxa, que legal, todo garoto tinha ou queria um autorama naquela época. Uma das amigas lembrou-se da mudança para a cidade atual, quando tinha seis anos mais ou menos. Não conseguia recordar-se da situação como um todo, mas sim da malinha em que trouxera seus brinquedinhos e apetrechos de menina e de onde a colocou, num criado-mudo no canto de seu novo quarto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegou então a minha vez. A minha mais antiga recordação era meio trágica. Acho que era por isso que eu me lembrava. Eu tinha um cachorrinho chamado Isnupe. Eu sabia que não se escrevia assim, aliás, eu nem sabia escrever na época da situação, mas, depois que aprendi, eu escrevia desse jeito. O Isnupe era um vira-lata, mas eu não gostava de que o chamassem assim, pois ele era muito leal e inteligente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um dia, eu estava andando numa avenida perto da minha casa, com o Isnupe amarrado numa correntinha. Minha mãe e uma tia dela vinham logo atrás. Não lembrava direito o motivo, mas a correia soltou-se da minha mão e o Isnupe saiu correndo para atravessar a rua. Nisso veio um ônibus e passou bem em cima do pobrezinho. Não sabia se eu tinha chorado, se tinha ficado triste, se não tinha sentido nada na hora. Não fazia idéia da minha reação. E a cena acabava ali.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todo mundo chocado, a discussão terminou. Mudamos de assunto, falamos de outras coisas, depois assistimos a um filme na televisão e fomos embora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegando em casa, encontrei minha mãe na cozinha e fui conversar com ela.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mãe, você se lembra do Isnupe, aquele cachorrinho que eu tinha?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Qual, filho?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Isnupe, aquele cachorrinho, que era…&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E expliquei-lhe toda a cena descrita para meus amigos. De repente, veio a bomba:&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Filho, você nunca teve um cachorrinho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como não? Eu lembro d’ele morrer!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Filho, preste atenção: nunca existiu um Isnupe, isso tudo que você me contou nunca aconteceu. Deve ter sido um sonho, ou algo assim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Naquele momento, meu mundo desabou. Todo o meu pensamento racional, todos os princípios em que me baseava, tudo aquilo que eu acreditava ser o certo, já não se sustentava mais. Se a primeira imagem que eu tinha em minha memória não existia de fato, os dogmas e corolários que guiavam meus atos poderiam estar da mesma forma deturpados.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ali, decidi realmente rever meus conceitos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-4046145679891640245?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/4046145679891640245/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=4046145679891640245' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/4046145679891640245'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/4046145679891640245'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/05/revelacao.html' title='A revelação'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-4537080044038442097</id><published>2009-05-11T10:41:00.005-03:00</published><updated>2009-05-27T20:21:19.336-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema'/><title type='text'>versos livres e cinzas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;escrito em 1999, publicado n'A Patada em 24 de outubro de 2003&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Sob a lua lírica, crescente&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mingua a alegria de amar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;amaro desejo de tocar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;e beijar a ninfa&lt;/div&gt;&lt;div&gt;que a outro pertence.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Antes fosse um outro qualquer&lt;/div&gt;&lt;div&gt;mas é justo;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;injusto o coração&lt;/div&gt;&lt;div&gt;de encontro à razão&lt;/div&gt;&lt;div&gt;sofrimento pelo correto&lt;/div&gt;&lt;div&gt;erro do destino&lt;/div&gt;&lt;div&gt;joguete da vida&lt;/div&gt;&lt;div&gt;engano do cupido, esse estúpido:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;                    tira essa venda dos olhos&lt;/div&gt;&lt;div&gt;                    e prevê os danos que irás causar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;                    à alma de um mero sonhador&lt;/div&gt;&lt;div&gt;                    corroída escondido.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Ele sorri, tenta disfarçar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os olhos, porém, se inundam&lt;/div&gt;&lt;div&gt;ao som de melodias-cicatrizes&lt;/div&gt;&lt;div&gt;jamais esquecidas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Como dói sofrer calado!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Dor menor que se somada&lt;/div&gt;&lt;div&gt;às dores por todos os sós lamentadas.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;                                                                            Que sejas tão feliz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;                                                                            quanto seria eu&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;                                                                            em teu lugar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;                                                                            E que a faças imensamente mais feliz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;                                                                            do que poderia eu&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;                                                                            com meu esforço maior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Silêncio, vou dormir.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-4537080044038442097?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/4537080044038442097/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=4537080044038442097' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/4537080044038442097'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/4537080044038442097'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/05/versos-livres-e-cinzas.html' title='versos livres e cinzas'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-2060802485278123657</id><published>2009-05-04T10:02:00.004-03:00</published><updated>2009-05-27T20:16:42.188-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Um dia em forma de música</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;publicado n'A Patada em 7 de novembro de 2003&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tic-tac, tic-tac, tic-tac… Fui acordando lentamente com aquele barulhinho. De súbito, começou uma musiquinha: "Passa, tempo, tic-tac, tic-tac, passa, hora…".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eram sete da manhã de uma quinta-feira e, enquanto eu me despertava, me perguntava de onde viria aquela música. Foi quando percebi que meu despertador criara vida: tinha olhos, boca e dançava. "Chega logo, tic-tac, tic-tac e vai-te embora…" e meus livros começaram a balançar na prateleira, os lençóis levitaram e iniciaram um balé, me perseguindo e me chamando para bailar junto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saí correndo do meu quarto, ainda de pijama, quando apareceu na sala a faxineira, trajando uma roupa colorida cheia de lantejoulas e fazendo uma percussão com sua vassoura, xic-xec, toc-toc, e soltou a voz, entoando uma canção bizarra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não entendia nada do que estava acontecendo ali, todas aquelas melodias, aqueles sons. Será que eu estava enlouquecendo? Fugi para a rua, mas fui impedido por um amigo, "Por que a pressa? Te acalma, enche a alma, vamos nessa!". Nisso surgiu outro amigo, cantando outra estrofe, e mais um e outro e surgiram várias pessoas numa coreografia, cantando em coro, "o seu dia… será… feliiiz!" E sumiram, todos de uma vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era isso mesmo que estava acontecendo? Em menos de meia hora, três músicas coreografadas, vários personagens, alguns fantasiosos, outros caricatos. Parecia um… não, não poderia ser. Sim, só podia ser isso! Meu Deus, que horror! Eu acordei e minha vida se transformara num musical! Eu odeio musicais! Aquele monte de gente cantarolando coisas sem nexo, todas alegres e fazendo piruetas quando deveriam simplesmente andar e falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entretido nesses pensamentos, fui surpreendido por secretárias e office-boys pegando-me e carregando-me até o quarto, onde o despertador já voltara à sua forma original, estático e sem boca. As pessoas vestiram-me, "corre, corre, não demora, sai do porre, vai-te embora!", me deixaram no carro, abriram o portão, balançando as mãos em sinal de despedida e o carro saiu em direção ao trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No meio de tanta bagunça e idiotice, ao menos tive um momento sozinho. Eu não conseguia acreditar que aquilo estivesse acontecendo comigo. Poderia ser com a tia Luci, que vibrara quando "Chicago", aquele filme ridículo em que o Richard Gere aparece dançando de cueca samba-canção, ganhara o Oscar de melhor filme. Mas eu, eu tenho pavor a essa idéia absurda de encher o filme de músicas chatas, que começam com um barulhinho, o cantor vai falando baixinho, aumenta o volume e, por fim, grita lerdamente a estrofe pela trocentésima vez até estourar os tímpanos da audiência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que o som do carro se ligou de repente, "... &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;and you bird can sing&lt;/span&gt;..." e, sem perceber, estava eu sorrindo e acompanhando a letra, berrando pela janela do carro, sendo seguido por milhares de pássaros verdes reluzentes. Tentei parar, mas não consegui. Percebi que eu havia sido tomado pela situação e estava também fora de controle.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já não suportava mais aquilo e não encontrei outra solução a não ser me jogar da ponte com o carro. A barreira lateral segurou o automóvel, mas, com o impacto, fui arremessado pelo pára-brisa, ao som de uma orquestra de metais, indo cair no rio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afundando aos poucos, atordoado, não conseguia mais escutar nada. Já não ouvia mais nenhum daqueles acordes e timbres que me aterrorizavam. Calmamente, alcancei o solo, quase inconsciente. Naquele último momento, pude sentir o significado de paz e plenitude. No dia-a-dia corrido de uma cidade grande, a gente nunca se dá conta de que dar uma pausa em tudo de vez em quando é essencial para viver bem. Talvez os mais felizes dos seres sejam os monges budistas das montanhas do Tibete, isolados de tudo e de todos. Eles, sim, sabem o que é tranqüilidade e dão o devido valor a isso. Já era tarde para eu descobri-lo. Num último momento, em silêncio, meus olhos fecharam-se vagarosamente. Era o fim dos meus dias. No entanto eu iria embora feliz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi então que chegou um peixe multicolorido, acompanhado de um conjunto de conchas tocando uma sinfonia.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;*Baseado numa fobia de Daniel Anand&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-2060802485278123657?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/2060802485278123657/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=2060802485278123657' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2060802485278123657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2060802485278123657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/05/um-dia-em-forma-de-musica.html' title='Um dia em forma de música'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-1017318549278070765</id><published>2009-04-22T13:52:00.004-03:00</published><updated>2009-05-27T20:17:04.998-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ensaio'/><title type='text'>Sobre o mineirês</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;publicado n'A Patada em 20 de outubro de 2003&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dizem que o mineiro come o fim das palavras. Eu vejo de outro modo: o mineiro economiza fonemas. É tudo uma questão de estilo de vida: para um povo modesto e "come-quieto", a simplicidade, acima de tudo, deve ser intrínseca ao cotidiano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nem todo fonema da Língua Portuguesa é realmente necessário. Pode ser belo, mas não estritamente indispensável. Vejamos o exemplo mais clássico: o diminutivo masculino. O sufixo "-im" em detrimento de "-inho" é perfeitamente inteligível. Assim, comemos um franguim, passeamos no parquim e a mulher compra um vestidim. Nenhum problema.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejamos agora a presença das vogais "i" e "u" em ditongos crescentes. Sua pronúncia é desnecessária em grande parte das palavras: "baixo", "caixa" e "peixe" podem ser entendidos sem o "i". Desse modo, se o mineiro disser que "o baxim viu um pôco do pexim que tava na caxa", qualquer um é capaz de entender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Partamos então para um ponto ainda mais polêmico: a troca de de vogais. É sabido de estudos linguísticos que um brasileiro, dado seu desenvolvimento fonoaudiológico desde a infância, precisa se esforçar um pouco mais para emitir o som de vogais fechadas, como o "ê" e "ô", que de vogais abertas. No entanto, não é do feitio dos conterrâneos de Fernando Sabino e Guimarães Rosa substituir as formas fechadas de uma vogal simplesmente pelas abertas. O costume é trocar as sílabas átonas o "e" e o "o" fechados, respectivamente, por "i" e "u". Assim, ouve-se naturalmente na terra da melhor cachaça do mundo uma frase como "o minino cumeu o tumate e a bulacha*".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebam que não foi necessário transcrever a pronúncia do artigo "o", da conjunção "e" e das últimas vogais de "menino" e "tomate". Com exceção de alfabetizandos e alguns sulistas que herdaram da Europa uma pronúncia que segue estritamente a escrita, quase todo brasileiro já fala essas vogais normalmente do jeito mais fácil, fisiologicamente falando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro item fundamental é o uso do "s" indicando plural em diversas palavras. Ora, se o plural já está explícito no artigo, torna-se redundante sua repetição no substantivo e quaisquer adjetivos relacionados. Dessa forma, ao invés de se dizer "Pegue as caixas brancas bonitinhas ali", basta apenas "Pegue as caxa branca bunitinha ali". O significado fica entendido, mesmo que esteja gramaticalmente errado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aproveitemos esse exemplo para chegar à questão da fluência da linguagem, já comum na última flor do Lácio, todavia mais contundente no mineirês. Quaisquer duas palavras consecutivas, sendo a primeira terminada e a segunda iniciada com vogal, são candidatas a unir-se numa só, sem dano à semântica da frase como um todo. Portanto, temos: "Pegas caxa branca bunitinhali".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Além dessa junção, a últimas sílabas das palavras, quando átonas, tendem a ser pronunciadas de forma extremamente suave, pois os vocábulos podem ser entendidas sem serem completamente pronunciadas, através do contexto. O exemplo máximo de aproveitamento fonético que me vem à cabeça é "pondions". Acompanhe a evolução: "ponto de ônibus" vira "pôntu di ônibus", que vira "pôn di ônbs", que vira "pondions". Alguns falantes mais experientes poderiam chegar até a "pondôns", mas isso devemos assumir como uma erudição extrema dessa linguagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode-se destacar também o papel dos verbos. Paulistanos têm o costume de enfatizar bastante as desinências modo-temporais do gerúndio. Ouvir um locutor que diz "einteindeindo" dói aos ouvidos de um humilde mineiro. Entenda-se que eu usei a palavra dói como um eufemismo. É uma dor que transcende à do parto. Machuca mesmo, quase explode o tímpano. A vontade do mineiro quando ouve "einteindeindo" é de ficar surdo. No entanto, o mineiro é sábio e entende que o paulistano foi criado assim e seria muito difícil mudar seu costume, assim como seria difícil explicar a um francês que nem todo mundo entende sua língua ou a um mineiro que é possível viver sem queijo (eu ainda duvido). Para o mineiro a desinência do gerúndio falado pode ser simplificada de "-ndo" para "-no". Assim, o mineiro tá "intendeno" tudo o que os outros estão "falano".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passemos à conjugação de verbos. Basicamente, são necessárias apenas duas pessoas em um mesmo tempo de um modo verbal: a primeira e a segunda do singular. É facultativa a conjugação da primeira pessoa do plural. Desse modo, são aceitas as formas (já agregando os ensinamentos anteriores) "eu vô", "cê vai", "ele/ela vai", "nóis vai/vamo" e "es vai" (isso mesmo, "eles" vira "es"). Só recordando, isso é válido pelo intuito da simplicidade da linguagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eis que chega um leitor mais perspicaz e desafiador e diz: "Peraí: se o mineiro sempre diminui a quantidade de fonemas, por que ele diz 'nóis' no lugar de 'nós'?". Minha resposta é: pronuncie as duas formas e perceba qual flui mais natural, mais fácil. Como em toda regra, aqui há uma exceção. Nem sempre um menor número de fonemas implica maior simplicidade de pronúncia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, o mascote dos mineiros, ao lado do "uai": o "trem". A explicação aqui é pura e simplesmente uma economia de vocabulário. Por que usar mil e um substantivos, se o "trem" é capaz de substituir "esses trem tudo"?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aproveitando a oportunidade, venho esclarecer que a piada em que o mineiro na plataforma da estação diz à esposa "Pega os trem que a coisa tá vindo" é errônea. A forma correta é "Pega os trem que o trem-de-ferro tá vindo". Se trem pode significar qualquer coisa, é mister haver uma expressão que defina o comboio e o diferencie dos demais trens. Entretanto, isso só é necessário para evitar ambigüidade. Como o trem-de-ferro é um substantivo, também pode ser simplesmente chamado de trem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;CONCLUSÂO&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não quero que o leitor culto sinta-se ofendido pela maneira simplória e regionalista com que o tema foi tratado. É claro que em ambientes formais o mineirês torna-se deselegante e pode fazer um erudito sentir-se tão mal quanto o mineiro que ouve um gerúndio paulistanês. E a linguagem escrita deve ser gramaticalmente correta, mesmo por que seria muito complicado (senão impossível) definir regras para se transcrever o mineirês segundo a gramática normativa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu objetivo aqui é esclarecer o mineirês e tornar mais acessível o seu entendimento para os demais falantes da Língua Portuguesa (pelo menos a brasileira).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se o leitor, mesmo assim, considerar o mineirês um linguajar chulo, chegue lá em Minas qualquer dia desses, prove de uma refeição típica (pão-de-queijo com café preto de tira-gosto, galinhada de almoço, queijo minas com doce-de-leite de sobremesa e uma pinguinha para arrematar), ouça os causos de algum velho, volte para casa e tenha a coragem de continuar pensando como antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;*&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold;"&gt;bolacha &lt;/span&gt;. &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;S.f. &lt;/span&gt;Trem que vem num pacote em que se lê: "Biscoito recheado sabor chocolate"&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-1017318549278070765?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/1017318549278070765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=1017318549278070765' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/1017318549278070765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/1017318549278070765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/04/sobre-o-mineires.html' title='Sobre o mineirês'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-6764579572263172337</id><published>2009-04-22T13:49:00.006-03:00</published><updated>2009-05-27T20:20:55.530-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='info'/><title type='text'>Informação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como minha produção está bem aquém do que eu gostaria, aproveitarei o resgate inesperado de textos antigos d'A Patada e os postarei aqui a cada semana. Assim os leitores podem se destrair e o blog não fica jogado às traças até que eu escreva algo novo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-6764579572263172337?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/6764579572263172337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=6764579572263172337' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6764579572263172337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6764579572263172337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/04/informacao.html' title='Informação'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-2170261640267818536</id><published>2009-02-04T18:32:00.002-02:00</published><updated>2009-05-27T20:17:54.013-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Saturno, um planeta burguês</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Erwachsen – was heißt das schon? Vernünftig – wer ist das schon?"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Peter Maffay&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É chegado o inevitável: uma hora a gente se dá conta de que não resta tanto tempo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabei de descobrir que os astrólogos chamam a isso "&lt;a href="http://portodoceu.terra.com.br/pratica/orbita-0102d.asp"&gt;o retorno de Saturno&lt;/a&gt;". Li em algum lugar do que se tratava e realmente é o que tem acontecido comigo ultimamente: um período de reflexão e de tentar estabelecer algumas definições na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em verdade eu não boto muita fé na predestinação pelos astros (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a mi me parece que son como las brujas&lt;/span&gt;). Penso que seja muito mais um efeito do tempo vivido e da consciência dos problemas existenciais. Ao fim da terceira década, já passamos por muitas experiências de diversos tipos, dolorosas em vários aspectos, principalmente a insegurança de se sentir sozinho e a proximidade da morte – se não da nossa, a do próximo. Isso acarreta uma necessidade de assentar, projetar o futuro próximo e real – não aquele futuro abstrato e estratosférico da pré-juventude – e colocar os planos em prática. O prazo para cumprir esses objetivos é curto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Impressionante como o tempo induz a devaneios. Tanto no sentido de variável da função vida, quanto sendo ele o próprio assunto. Há passagens sensacionais da literatura que discutem a seu respeito, como em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Montanha Mágica.&lt;/span&gt; Temos a sensação de que o tempo corre mais rápido à medida que passa, pois cada vez menos novidades acontecem. A experiência adquirida nos torna progressivamente menos impressionáveis, pois já experimentamos muitas situações diferentes. E mesmo o que não vivemos torna-se um pouco previsível. Então aquela gigantesca disposição para conhecer coisas novas vai diminuindo; o que fica bom, assim parece, é aproveitar melhor o que acontece de normal todo dia, pois a velhice está cada vez mais próxima. Imagino que seja por isso que todo revolucionário cedo ou tarde acaba aceitando o modo de vida burguês – refiro-me aqui ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;burguês&lt;/span&gt;, que tem como base a família e a propriedade, seja ele rico ou pobre, e não àquele burguesinho metido do colégio ou do trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dilema atual, na verdade, é: tenho atualmente meu estilo de viver, independente sem dependentes, e gosto muito dele; no entanto, vejo quase todos os amigos "passando de fase", i&lt;span style="font-style: italic;"&gt;d est&lt;/span&gt;, contraindo matrimônio, construindo patrimônio e iniciando a prole. Consolidando a pergunta: há mesmo um procedimento correto e seguro para o complexo processo "vida"? Se eu não virar um pai de família agora vou necessariamente tornar-me um ancião solitário, infeliz e rabugento? Pretendo, sim, ter filhos; a idéia, porém, de me casar e abdicar de minha liberdade libertina, de tantas pequenas coisas de que gosto por um suposto bem maior, enfim, de tornar-me finalmente responsável, desanima-me muito. Não seria possível ser responsável de um jeito diferente dessa regra imposta em nossa cultura?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tradição, ou seja, tudo o que vem sendo trazido através de gerações humanas, ensina que este é o caminho certo e a ordem natural das coisas. Já no livro didático de Biologia: "O ser humano nasce, cresce, reproduz e morre". Claro que o "morre" pode impor-se no lugar em que quiser dessa sequencia e acabar com todas as fases seguintes e que o "reproduz" muitas vezes vem antes do "crescer". Só que ali no meio a sociedade embutiu um "deve casar-se". Espero que isso não seja encarado simplesmente como imaturidade de um homem que não quer encarar o casamento - aquele ritual de passagem fantasiado de evento social, que todos identificam diretamente como passo para um futuro de sucesso - mas sim, de verdade: é mesmo preciso seguir esta fórmula que está aí, que algumas vezes funciona muito bem, outras se torna uma tragédia (em sentido literal ou metafórico), para se alcançar a felicidade? Seria felicidade nada mais que um conceito burguês fechado em seu próprio contexto e impossível em outros? Ou pode ser também um sentimento de satisfação sobre o que se faz em sua vida, na de seus semelhantes e em seu microcosmo e, portanto, acessível a outros modos de vida? Sou só imaturo ou, pelo contrário, estou tentando ver além?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só dá pra saber vivendo. Daqui a alguns anos talvez eu conte uma história boa a respeito. E se Saturno, aquele planeta burguesinho, voltar aqui outra vez, eu arranco-lhe os anéis pra ele largar de ser metido a besta.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-2170261640267818536?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/2170261640267818536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=2170261640267818536' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2170261640267818536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/2170261640267818536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2009/02/saturno-um-planeta-burgues.html' title='Saturno, um planeta burguês'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-7307739274586165867</id><published>2008-12-23T02:17:00.010-02:00</published><updated>2009-05-27T20:18:13.161-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje agora neste instante perdi o índice da minha memória. Sim, o tê do f(t) caducou. Não lembro se o bandejão de meses atrás foi antes, depois ou ao mesmo tempo que a porrada que levei por discordar das instruções quando ainda era quase moleque. Se o porre da chopada foi do primeiro ou do segundo curso. Se a careca era do vestibular ou da genética pela idade. Se meu amigo que morreu de acidente de moto foi o primo indo trabalhar, o tio indo pra gruta, o colego de faculdade quase formado ou o de colégio voltando pra casa. Se os velórios a que não fui foram igualmente por omissão, preguiça ou medo de enfrentar a vida finita. Se minha arrogância venceu a humildade por imaturidade, preconceito ou plena consciência de alguma auto-valorização. Se as lágrimas que caíram foram num desespero escondido no banheiro, no travesseiro antes de dormir ou em frente a todo mundo, igual criança. Se o suspiro profundo foi por conhecer a vida sem luz na roça ou a cidade-luz na europa (minúsculo por respeito). Se os gringos que conheci e nunca mais verei foram da primeira ou da última viagem. Se as moedas que recusei dar à velhinha na rua valiam o mesmo que a esmola entregue ao pivete no sinal - uma por medo, outra por insensibilidade, ambas por egoísmo. Se as piadas patéticas e comentários simplórios reais acumulados por meses monótonos equivaliam à sacada e ao ápice de um grande filme. Se a irresponsabilidade que me jogou pra fora da estrada com minhas irmãs foi mesmo tomada como lição depois. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queria ter gravado em vídeo vários momentos que me fugiram da cabeça, pelo menos agora. Óbvio, todo mundo queria. "Tire mais fotos" está escrito no sachê de açúcar. Mas não quero interromper os momentos para fotografar. Então me conformo em viver sabendo que provavelmente foi esquecer. Melhor que gravar o não vivido. Será?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Talvez escrever mais por aqui ajudasse. Fotografia, caligrafia. As duas exigem um tê.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-7307739274586165867?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/7307739274586165867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=7307739274586165867' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/7307739274586165867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/7307739274586165867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2008/12/hoje-agora-neste-instante-perdi-o-ndice.html' title=''/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-3141324138904059721</id><published>2008-04-14T23:53:00.009-03:00</published><updated>2009-05-27T20:18:31.748-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>O jardim errante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Orgulhava-se de ser muito equilibrado e ponderado. Toda decisão era tomada com calma, toda situação era analisada com parcimônia, toda reação continha em si precaução. Tinha claro o caminho a ser percorrido, a linha a ser seguida, os procedimentos a serem executados, passo a passo, sem tropeçar, sem pular.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E no entanto escolheu a canção errada. Quando apertou o botão, foi surgindo aos poucos um som oco e constante, repetitivo. Depois reconheceu um barulho circular de bolhas incessantes, outros tons paralelos e concorrentes indescritíveis como seu efeito e, então, um zunido a princípio inaudível e por fim certamente triunfante. No embalo sentiu-se sugado para dentro de si.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de ultrapassar um pavilhão e entrar em um canal, procurou inutilmente localizar-se. Era um caminho escuro, quente e úmido, um tanto pegajoso. Quase não conseguiu desvencilhar-se da cera da parede interna. Sua bússola interna estava desnorteada, relesteada, contrasulada e prooesteada. Fosse um caranguejo, estaria andando em &lt;span style="font-style:italic;"&gt;loop &lt;/span&gt;para cima, não para os lados. &lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas por sorte o caranguejo estava na praia, enquanto por azar ele estava ali solto em sua prisão, sem conseguir sair. Ao dar um passo adiante, sentiu uma cambalhota que o jogou para trás. Grito e ouviu o eco de sua voz distorcida, rouca, volumosa e amplificada. Decidiu calar-se, antes que explodisse a si mesmo com a potência do clamor próprio. Ao encostar a mão direita na parede, um revertério no pé de cima moveu a cabeça para o centro ao contrário do meio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi quando esbarrou no cabo de um martelo, que imediatamente chocou-se na bigorna estrategicamente posicionada e pensou que dessa vez não escaparia, tamanho o impacto, que o arremessou pelo meio a um vestíbulo. Até cogitou trocar de roupa, mas um olho fechado com os braços enroscados na camisa já o fariam perder-se mais ainda. Só esse simples pensamento tornou a rodopiá-lo. A tontura deixava de ser um leve susto para tornar-se surto pesado. Começava a desesperar-se.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando finalmente entendeu que estava desprovido de seu labirinto e justamente lá dentro inserido, sofreu uma nova e vigorosa vertigem que o derrubou e o fez cambalear para todas as bandas. A perspectiva nauseabunda de nunca mais conseguir encontrar a saída para seu próprio ouvido fez com que tentasse se enforcar no primeiro nervo que encontrou antes do seu cérebro. Infelizmente com isso atormentou-lhe uma cãibra facial que contraiu seus músculos em uma assustadora expressão de careta repugnante.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perdido e atordoado, errou eternamente por seu pequeno e momentanemante infinito jardim.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-3141324138904059721?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/3141324138904059721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=3141324138904059721' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/3141324138904059721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/3141324138904059721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2008/04/o-jardim-errante.html' title='O jardim errante'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-482572310914503627</id><published>2008-03-19T22:12:00.008-03:00</published><updated>2008-03-20T13:56:22.658-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema'/><title type='text'>Ampulheta</title><content type='html'>&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;Pego-me contando os segundos&lt;br /&gt;e quando termino&lt;br /&gt;ainda não passaram&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Cheguei primeiro&lt;br /&gt;e tenho que esperar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adiante&lt;br /&gt;Puxo, empurro&lt;br /&gt;peço&lt;br /&gt;procuro persuadir&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;Inexorável&lt;br /&gt;segue sua cadência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ensina&lt;br /&gt;Cicatriza&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;feridas&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;amores&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;dores&lt;br /&gt;Cura&lt;br /&gt;Enruga&lt;br /&gt;Devora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não volta&lt;br /&gt;não avança&lt;br /&gt;não voa&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;vagaroso&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;apenas&lt;br /&gt;sem parar&lt;br /&gt;pisa&lt;br /&gt;passa&lt;br /&gt;Só passa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não adianta, não passa&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-482572310914503627?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/482572310914503627/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=482572310914503627' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/482572310914503627'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/482572310914503627'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2008/03/ampulheta.html' title='Ampulheta'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-6222411589772965585</id><published>2008-03-14T23:37:00.008-03:00</published><updated>2009-05-27T20:20:17.427-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Da sala de espera</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolveram enfim ignorar as mães, que galgavam árvores genealógicas e davam voltas em círculos sociais rastreando conhecidos em comum:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Faz muito tempo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dois meses.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso tudo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É. Mas pelo menos não tive que operar. E você, futebol?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, caí mesmo. Foi bem besta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E já vai tirar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, faz só duas semanas. Tenho que ver se vai precisar de cirurgia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ai... Eu ia morrer de desespero.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E você, o que foi?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acidente de moto numa descida. Com a batida fui parar longe. Eu até que machuquei pouco. O capacete partiu ao meio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ai, isso é que é desespero. Pior é andar de muleta numa cidade só de colinas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, naquela tarde de garoa fina, continuaram conversando amenidades nada suaves que a situação sugeria, com otimistas palpites incertos baseados em casos similares de conhecidos, até ouvirem preguiçoso e longe um de seus nomes. Despediram-se com sorrisos e acenos, pois levantarem-se seria coisa complicada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após uma tardia consolidação do osso da perna devido a pouca ingestão de cálcio, um moroso restabelecimento pós-osteossíntese com demasiado repouso relativo e um involuntário enriquecimento colateral de vocabulário médico, voltaram a suas distantes rotinas normais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentado um dia num bar com os achegados, pouco depois do reaprendizado de seus passos, esticou-se todo para comemorar a malemolência do fim de sua folga e, de supetão, levou uma pisadela na cicatriz ainda rosada na parte exposta menos morena de seu corpo. Num misto de fúria e dor lógica, porém não sentida, esbravejou impropriedades à garçonete que passava apressada por entre as mesas sobre o chão molhado de chuva. A moça desculpou-se com o imediatismo de um serviçal em um país subdesenvolvido, quando o protestante percebeu que se tratava da colega de banco da sala de espera da clínica.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O constrangimento foi rapidamente suspenso. O torpor, com a mesma intensidade a que eleva a raiva do agressor, intumesce também a amorosidade e a ternura. Perdões revertidos foram concedidos e mantiveram assim a tranqüilidade com que a tarde começara. Seguindo a primeira valiosa embriaguez e o esquecido cansaço de horas de trabalho, despediram-se, respectivamente, com exageradas palavras de carinho e repetidos agradecimentos impacientes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anos mais tarde, na festa de casamento de um antigo amigo, bailava um rápido arrasta-pé com sua prima, quando tropeçou num salto alto alheio e quase se projetou ao chão de cimento do salão da igreja. Na penumbra cheia de luzes em frenesi, custou-lhe reconhecê-la. Mais uma vez a satisfação de reatar uma amizade que, por falta de se regar, não brotou. Na música seguinte convidou-a para dançar, mas foi gentilmente rejeitado: estava casada e o marido era muito ciumento. Mirou-o, pareceu-lhe nada mais que um estulto mentecapto de riso fácil. Não se viram mais até o fim brusco do baile, interrompido por uma súbita tempestade. Por isso não puderam saudar a nova separação, para desapontamento de um e alívio da outra.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passou-se um longo termo, em que sucessivas e crescentes chuvas cultivaram novas e inúmeras flores para seus buquês, seus jardins e suas praças; e, então, para seus féretros e seus túmulos, na necrópole da cidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E os dilúvios magníficos não cessavam. Vigoravam ininterruptamente, até a noite em que as nuvens despencaram não mais em gotas, porém em enxurradas inconseqüentes. A aluvião extrema converteu ruas em afluentes barrentos, sugando concreto, madeira e gente para o rio do vale. Tragédia sem precedentes. Uma nova Pompéia sepultada com lava hídrica fria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Findado todo o pranto desesperado daquele céu, os primeiros raios de sol de um alvorecer sem vida iluminaram em meio à lama, ao pé de uma colina, dois restos de cadáveres amontoados. Sua renegada fíbula pôde finalmente sentir pressionar seu peso sobre a tíbia bem-quista, que, imóvel e inerte, insistia em recuar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-6222411589772965585?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/6222411589772965585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=6222411589772965585' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6222411589772965585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/6222411589772965585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2008/03/da-sala-de-espera.html' title='Da sala de espera'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-1166262473986332428</id><published>2008-03-10T01:48:00.007-03:00</published><updated>2008-03-11T13:37:03.969-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Adaptação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decidiu então enfrentar o mundo. Coisa de que tinha raiva era gente lamentando a própria desgraça, sem mesmo tentar resolver. Como se sofrer muito por si só fosse atestado de merecimento de sorte no futuro. Quem lamuriava torcia pela existência de uma lei universal da compensação. A maior parte dos problemas só existia porque ninguém resolvia. Culpa do governo, da mãe, do patrão, do destino, de Deus, de qualquer um, desde que fosse o outro e o queixoso não precisasse solucionar nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele não queria ser um desses, por isso estava certo de que conseguiria reverter a situação. Além do mais, seria temporário. Havia tantos que suplantavam dificuldades mais graves e permanentes e mantinham-se vivos. Certamente não encontrava exemplos à sua volta, porém sabia que existiam. Seria um destes vencedores, não um daqueles derrotados. Afinal, era um renitente, não um penitente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naturalmente duraria um período longo. Entretanto tinha confiança em que seu corpo acostumar-se-ia com o fato e, depois, condicionado, passaria a colaborar. O esforço e a coragem, esses sim, deveriam ser reconhecidos e louvados. A solidariedade alheia seria muita mais sincera e presente para os batalhadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além disso, orgulhava-se deveras de sua independência. Optara por esse modo de vida, responsável por si mesmo e por mais ninguém, sem cobranças e sem justificativas. Não se renderia tão facilmente à condição de auxiliado. Principalmente porque todos os amigos e colegas tinham suas próprias vidas a guiar, então estaria sujeito não só à boa vontade de outrem, senão também a disponibilidades. Ou seja, a coincidências. Em última instância: passar os dias à mercê do destino. Deixaria de ser um sujeito para tornarem-no um objeto. Pior ainda: passivo na mão de um agente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentia-se sobretudo saudável e apto a combater a negligência de uma aceitável inércia. O primeiro golpe, contudo, foi perceber que faltando-lhe um pé, perdia ainda duas mãos: impossível segurar muletas e outras coisas ao mesmo tempo. Tarefas simples como o desjejum tomavam um tempo muito maior - além de um esforço descomunal. Para o banho necessitava de novos procedimentos e ainda maior higiene. Seria uma boa idéia exercitar a expansão da bexiga, a fim de diminuir a freqüência de visitas ao toalete. Em suma, tentando aplicar no âmbito pessoal as lúdicas teorias organizacionais apreendidas no último emprego, naquela eventual crise sua rotina sofreria uma reengenharia, considerava-se flexível o suficiente e agiria proativamente para manter sua sinergia interna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cada instante, colecionava derrotas. Acabada a água do filtro, era incapaz de substituir o refil de vinte litros. Não poderia subir as escadas para utilizar computadores. O corpo exigia descansos constantes no calor tropical. Não conseguia se locomover em tempo hábil entre diferentes prédios. O suposto desânimo, todavia, era automaticamente convertido em motivação e em exercício de sua criatividade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de toda essa guerra pessoal, recebeu o evitado veredito do médico: era mister sujeitar-se imediatamente a uma cirurgia e ao repouso absoluto. Caso insistisse no crime, a pena seria no mínimo uma de diversas seqüelas listadas. Espírito humilhado, sensação de honra estuprada por um falo do destino canastrão, aquele mesmo em que não cria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, no conforto do seio da família, toma o anestésico antes do sono para suportar a violação de seu corpo e de sua alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-1166262473986332428?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/1166262473986332428/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=1166262473986332428' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/1166262473986332428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/1166262473986332428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2008/03/adaptao.html' title='Adaptação'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-7806457947453644318</id><published>2008-03-08T19:08:00.001-03:00</published><updated>2009-05-27T20:22:00.875-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Central Sorrisos</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com o objetivo de deixar o texto menos entediante e irritante que o colóquio com a atendente da empresa aérea e pra não virar o lugar-comum de casos de revolta contra essas depreciadas profissionais, retirei trechos maçantes de expressões decoradas, espera &lt;/span&gt;kármica&lt;span style="font-style: italic;"&gt; e incompetência lingüística, substituindo-os por reticências entre parênteses. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Central Sorrisos bom dia com quem eu falo?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia, com o Bruno.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois não, senhor Bruno, em que posso ser útil?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu vou voltar de Frankfurt para Guarulhos neste domingo, mas tive a infelicidade de quebrar o pé ontem aqui e estou com ele engessado. Por isso eu só gostaria de confirmar se vocês irão alocar um local adequado para mim no avião, já que eu preciso deixar o pé suspenso para não sofrer complicações.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O senhor deseja solicitar um assento especial?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso, pois estou com o pé engessado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Infelizmente não podemos fazer isso, senhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Talvez eu não tenha sido claro, não é que eu gostaria de me sentar em um lugar especial, eu preciso me sentar em um lugar com espaço suficiente para deixar meu pé apoiado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha, com mais espaço na classe econômica só temos os assentos reservados para cadeirantes.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom, não sou cadeirante, mas estou numa situação parecida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O senhor gostaria de reservar o assento de cadeirante, senhor?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Desde que haja espaço pra levantar a perna.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo bem, pode ser esse então, pois fica do lado da saída de emergência e por isso tem mais espaço.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Do lado da saída de emergência? Mas minha perna suspensa não vai bloquear a saída de emergência?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo bem. Eu tenho um seguro-viagem e eles poderiam pagar um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;upgrade &lt;/span&gt;da minha passagem. Daí eu viajo com espaço na classe executiva e resolvemos o problema.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- OK. O senhor já gostaria de efetuar a reserva?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, o número do meu bilhete é 0422114634373.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Senhor, seu bilhete foi adquirido com milhas, por isso serão necessárias mais 15000 milhas para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;upgrade&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu não tenho mais milhas, gastei minhas 70000 para trocar o bilhete. Mas não se preocupe, o seguro paga.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Esse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;upgrade &lt;/span&gt;só pode ser feito com milhas, não com dinheiro, senhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Moça, deve haver algum jeito. Eu não acredito que eu seja a primeira pessoa a viajar com o pé quebrado na empresa de vocês.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha, senhor Bruno, tem uma coisa que o senhor pode fazer: assim que o senhor chegar no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;check-in&lt;/span&gt;, se tiver assento livre na classe executiva eles colocam o senhor lá. Mas isso fica entre nós, tá?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E se não tiver mais vaga na classe executiva?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já que é tão necessário, o senhor deve nos enviar um formulário médico disponível no site preenchido com a assinatura do médico, esclarecendo o seu problema. Nossos médicos irão analisar o caso e decidirão o que deve ser feito. (...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Tudo bem, daí eu mando para qual e-mail?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O senhor pode anotar o número do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu não tenho &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax &lt;/span&gt;aqui.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Infelizmente o senhor só pode nos enviar por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Moça, veja a minha situação: eu estou num país estranho, com o pé quebrado, na casa de um amigo que está trabalhando, com muito custo consigo chegar ao banheiro e preciso voltar para o meu país sem perder a perna no caminho. Eu liguei apenas para informá-los de que um passageiro com necessidades especiais iria tomar esse vôo e agora você me diz que para isso eu tenho que mandar um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax&lt;/span&gt;. E se eu te mandar para o seu e-mail e você enviar o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax &lt;/span&gt;por mim?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não posso, senhor, são normas da empresa.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por Deus, como eu vou te mandar esse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax&lt;/span&gt;?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Infelizmente eu não posso fazer nada, senhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, é esse o problema. Eu entendo perfeitamente que você não pode resolver meu problema, afinal de contas são tantos clientes que ligam com problemas diferentes e você não consegue tratar de todos. Nesses casos de exceção deveria haver um jeito de você disparar um novo processo de tratamento diferenciado, chamar seu supervisor, seu gerente, qualquer pessoa, pois uma pessoa de perna quebrada não tem culpa de ter quebrado a perna, já está privada do uso normal de sua perna e não pode por isso ser privado também de voltar pra sua casa com segurança e com sua perna quebrada. Então eu pergunto novamente, o que vocês podem fzer por mim?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu entendo, senhor, mas infelizmente eu não posso fazer nada.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- OK, me passa o número do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É +55 11 4003-7013.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alô, meu amigo enviou do trabalho há mais de uma hora um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax&lt;/span&gt;, você poderia verificar se chegou?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não consta nada aqui, senhor.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha, verifique de novo, pois já foi muito complicado encontrar esse aparelho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax &lt;/span&gt;e...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por acaso o senhor mandou para o número 7013?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso, 11 4003-7013.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Senhor, me desculpe, esse número não usamos mais, quem informou ao senhor estava desatualizado. O número correto é 7015. O senhor poderia enviar novamente?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, não posso. Escuta, eu não estou com má vontade. É de meu interesse que isso chegue aí, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax &lt;/span&gt;é coisa do século passado. Aqui não existe mais aparelho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax&lt;/span&gt;, nem no Brasil. A gente escaneia o documento e  manda por e-mail, ninguém usa mais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax&lt;/span&gt;. Me perdoe, mas é por isso que essa empresa faliu ano passado. E vai falir de novo se continuar assim!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu entendo, senhor. Então, por favor, o senhor poderia anotar o endereço de e-mail?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O quê?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O endereço é "sorrisos@empresa.com". No assunto, escreva "URGENTE: Encaminhar por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fax &lt;/span&gt;à Central Sorrisos"&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: normal; "&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;No fim das contas o seguro pagou um novo bilhete na classe executiva de outra empresa aérea e viajei com todo o conforto necessário, sem eu precisar mandar nenhum &lt;/span&gt;fax&lt;span style="font-style: italic;"&gt;. Quatro dias depois de aterrisar no Brasil, isto é, uma semana depois do envio do fatídico e fatigante &lt;/span&gt;fax&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, recebi um e-mail de "sorrisos@empresa.com":&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Prezado Sr. Bruno,&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em atenção ao seu e-mail, informamos que a solicitação de assento&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;especial, (sic) é feita através da central de atendimento Smiles pelo telefone..."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-7806457947453644318?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/7806457947453644318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=7806457947453644318' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/7806457947453644318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/7806457947453644318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2008/03/central-sorrisos.html' title='Central Sorrisos'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-155702930950389430.post-4380520043545238922</id><published>2008-03-08T02:22:00.006-03:00</published><updated>2009-05-27T20:26:39.897-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poema'/><title type='text'>Fíbula</title><content type='html'>Agarrados erguiam&lt;br /&gt;a casca fragrante&lt;br /&gt;em relação febril&lt;br /&gt;a flauta tuberculosa&lt;br /&gt;e seu destoante gancho&lt;br /&gt;galgando a garganta&lt;br /&gt;com um fio atravessado.&lt;br /&gt;Só respirava ruídos&lt;br /&gt;incoerentes e roucos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E num sopro brusco - basta!&lt;br /&gt;arrebentou a corda retesada.&lt;br /&gt;A cravelha estourou em mariposa&lt;br /&gt;e alçou louco vôo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das primeiras asas&lt;br /&gt;selou o instrumento&lt;br /&gt;sua nova noiva&lt;br /&gt;que não estrangula&lt;br /&gt;apenas suspende&lt;br /&gt;pelas hastes suas vestes.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Enlaça, abraça, envolve e - traiçoeira!&lt;br /&gt;cega o patricida tebano.&lt;br /&gt;Joelhos ao chão&lt;br /&gt;jazem juntas&lt;br /&gt;assim como fazem&lt;br /&gt;os ossos primos próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Versão musicada de "Fíbula" por Fabio Chui:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);font-size:85%;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOG_video_class" id="BLOG_video-3f61e40bd87d6204" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/get_player"&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF"&gt;&lt;param name="allowfullscreen" value="true"&gt;&lt;param name="flashvars" value="flvurl=http://v4.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D3f61e40bd87d6204%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331262063%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D61E72A54F640C9786733D95EA095CAF2E9B2DE91.17D03C042BC02A5E48FE9C4914B52D0681643804%26key%3Dck1&amp;amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D3f61e40bd87d6204%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D6cTMJN0xKhHndWRliFw0WPW7CVI&amp;amp;autoplay=0&amp;amp;ps=blogger"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/get_player" type="application/x-shockwave-flash"width="320" height="266" bgcolor="#FFFFFF"flashvars="flvurl=http://v4.nonxt1.googlevideo.com/videoplayback?id%3D3f61e40bd87d6204%26itag%3D5%26app%3Dblogger%26ip%3D0.0.0.0%26ipbits%3D0%26expire%3D1331262063%26sparams%3Did,itag,ip,ipbits,expire%26signature%3D61E72A54F640C9786733D95EA095CAF2E9B2DE91.17D03C042BC02A5E48FE9C4914B52D0681643804%26key%3Dck1&amp;iurl=http://video.google.com/ThumbnailServer2?app%3Dblogger%26contentid%3D3f61e40bd87d6204%26offsetms%3D5000%26itag%3Dw160%26sigh%3D6cTMJN0xKhHndWRliFw0WPW7CVI&amp;autoplay=0&amp;ps=blogger"allowFullScreen="true" /&gt;&lt;/object&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(102, 255, 153);"&gt;(não reparem o amadorismo da conversão de wav em avi)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/155702930950389430-4380520043545238922?l=fabulasdafibula.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='enclosure' type='video/mp4' href='http://www.blogger.com/video-play.mp4?contentId=3f61e40bd87d6204&amp;type=video%2Fmp4' length='0'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/feeds/4380520043545238922/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=155702930950389430&amp;postID=4380520043545238922' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/4380520043545238922'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/155702930950389430/posts/default/4380520043545238922'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://fabulasdafibula.blogspot.com/2008/03/fbula.html' title='Fíbula'/><author><name>bruno mendes</name><uri>http://www.blogger.com/profile/10779257555706622557</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://bp2.blogger.com/_G6TxqBy6rhc/R99NR_8mZJI/AAAAAAAAB2o/wOjMUsMBLlY/S220/DSC05571b.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
